Curta nossa página
Dutch   English   French   German   Italian   Portuguese   Russian   Spanish


Como se perpetuar no poder com programas assistencialistas

Publicado

Foto/Imagem:


Nos últimos 14 anos, de 2000 a 2013, o número de beneficiados que passou a receber do governo federal ajuda financeira, pulou de aproximadamente 28,6 milhões para 75,1milhões, com um acréscimo de 46,5 milhões de habitantes que passaram a receber tais ajudas. Este numero representa mais de um terço da população, ou cerca de 37% da população brasileira, que atualmente é de 200 milhões de habitantes. Se a estes números somarmos outros benefícios, que são dados através de outros tipos de auxílio e de empréstimos praticamente a fundo perdido, teremos certamente mais de 80 milhões, que recebem algum tipo de beneficio do governo federal, sem contarmos o que é distribuído nas mesmas condições e para as mesmas pessoas pelos governos estaduais e municipais.

Registre-se que cerca de 88,6 % destes beneficiários recebem e estão na faixa do salário mínimo, o que revela se tratar de um público cativo, que certamente sempre irá privilegiar e apoiar candidatos ligados ao nascimento destes programas assistencialistas, que defendem a sua manutenção e o seu desenvolvimento, a maioria muito satisfeita por não ter que trabalhar nem se preocupar com o dia seguinte.

Assim, qualquer projeção que seja realizada para estas e para as futuras eleições presidências, deverão levar em conta estes números que são reveladores de uma imensa massa populacional, que irá garantir a presença do candidato governamental antecipadamente pelo menos no segundo turno e provavelmente poderá ser o fator decisivo, para que este possa ser eleito ainda no primeiro turno, sem a necessidade de uma nova eleição com os dois candidatos mais votados.

É claro que para estas autoridades que se preocupam muito mais em se elegerem do que com as contas públicas em seu desejável equilíbrio, não levam em conta que essa quantidade de benefícios cresce justamente até a faixa salarial, que recebeu aumentos de mais de 70% acima da inflação.

Sob o ponto de vista macro econômica, a manutenção dessa política e o seu incremento significa a produção de um forte impacto no gasto público, com uma transferência de renda  que pulou de 6% para 9,6% do Produto Interno Bruto, PIB, e que continua a subir em 2014 já atingindo cerca de 10%, número inaceitável, quando se busca o de equilíbrio destas contas públicas. O  aumento desmesurado e incontrolável dos impostos pagos por todos nós nos últimos 30 anos levou a  já em 2014, que no mês de agosto se alcançasse a marca de um trilhão de reais, carga tributária que poucos anos atrás só era alcançada no final de dezembro.

Tais transferências de renda, sem o compromisso de uma redução substantiva de despesas, pelo contrário, ano após ano aumentadas sem qualquer equacionamento ou disciplina, são em boa parte motivadas pela ampliação dos gastos em seguridade social com benefícios vários. Entre eles estão  aqueles como aposentadorias e pensões, e os subsídios e os investimentos em saúde e educação que em sua maior parte não são efetivamente usados, e se perdem nos meandros da corrupção, da irresponsabilidade e da incompetência dos gestores nessas áreas.

Sem uma política e um compromisso rígido, voltado para a redução de despesas, ligadas ao conjunto das transferências de renda, o cidadão brasileiro se verá continuadamente diante do aumento da carga tributária e de um clientelismo assistencialista, que cada vez mais crescerá e representará números sempre maiores dentro do PIB brasileiro.

A manutenção e o desenvolvimento de tais políticas prejudicará a economia como um todo e a todos os que, como nós, pagamos impostos cada vez vultosos.

Alguns programas, como o seguro desemprego, o abono salarial, o Minha Casa Minha Vida, etc, necessariamente, deveriam ser reformulados, ou até mesmo extintos. É inconsequente e irresponsável não melhorar o desenho e a fiscalização de alguns benefícios  concedidos, como auxilio doença, e pensões por morte, entre outros. Tais alterações não são previsíveis por razões eleitorais já que a manutenção da atual política econômica serve de sustentação para a reeleição do mesmo grupo político que dirige o país há mais de uma década seguindo no rumo do caos e do descalabro financeiro e econômico.

Essa situação de fragilidade e de estagnação econômica que já se apresenta nos dias de hoje, foi prevista por quem de fato não é comprometido com o poder, e sabe ver e analisar os sinais que se apresentam de forma clara, para todos. Ela foi e é apontada pelo FMI, pelo Banco Mundial e pelas agências especializadas. Eles acenderam as luzes vermelhas, dando claramente um sinal e um aviso para o governo brasileiro mude de caminho pois, a continuar nele, a realidade econômica de nosso país irá se degradar e caminhar célere, para a estagnação e uma ainda maior inflação.

A questão que se apresenta não é aquela de serem retirados direitos aos brasileiros já consagrados na constituição mas de estabelecer, de fato, prioridades e uma gestão capaz de colocá-los dentro de parâmetros viáveis, consequentes de forma plena e satisfatória, objetivando o alcance de objetivos econômicos claros, seguros e predefinidos.

Como o objetivo do atual governo é o de se perpetuar no poder através do PT e dos partidos coligados de sustentação, ninguém em sã consciência acredita de fato que dentro do quadro atual poderá acontecer uma mudança. Pensar que mais de 7% dos que recebem ajuda sob as mais variadas formas, não votará para Presidente em outro candidato, que não seja Dilma, é desconhecer a realidade eleitoral em nosso país. Que cerca de 20 a 25% dos mais de cem milhões de habitantes, representando 50% da população pertencentes as classes C e D também não o farão é acreditar em Papai Noel, Branca de Neve, Peter Pan, etc.

Assim como previmos um mês antes do início da Copa do Mundo ,que o Brasil não seria Campeão, que faria um papel vexaminoso estimamos que infelizmente a Presidente Dilma terá no segundo turno entre cerca de 51 a 55% dos votos úteis e  portanto se reelegerá para um novo mandato presidencial. Esta realidade pode ser alterada mas para tanto milhões devem mudar seu voto, abandonando este barco que só trará para o Brasil atraso, corrupção, miséria, inflação, incompetência e desmoralização internacional.

Prenuncia-se diante desse fato um 2015, que será o pior entre os piores dos últimos anos, sem que perspectivas de melhorias econômicas sejam esperadas nem possíveis de serem alcançadas.

Sobre essa realidade o economista Ricardo Bergamini em brilhante artigo revela e afirma em uma série de análises baseadas em dados oficiais de forma lúcida que: Nossa dívida externa nos últimos 12 meses custou 8,42% ao ano e nossas reservas são remuneradas por juros negativos em torno de 1,5% ao ano (juros americanos em 2014 tem previsão de 0,50% ao ano e a inflação americana prevista para 2014 será de 2,00%), assim sendo os juros serão negativos de 1,5% no ano de 2014.  Captamos recursos ao custo de 8,42% ao ano e somos remunerados com juros negativos de nossas reservas em -1,5% ao ano.

Tudo leva a crer que após as eleições começará a surgir um pacote de “surpresas” que inclui entre outras o tarifaço da energia elétrica, o aumento do preço dos combustíveis e, pasmem, um novo aumento de impostos, dissimulado, como sempre fazem. Tudo isso, para mais uma vez enganar 90% da população que não possui entendimento, discernimento, nem compreensão sobre economia.Ela não perceberá mais uma vez o que estará a fazer seu governo, recém eleito.Um governo que ficará marcado em ferro e brasa nos corações de todos os que sempre esperaram que nosso país viesse a ser governado por políticos e por técnicos capazes, honestos e interessados no bem público e naquele de seus cidadãos.

Roberto Romanelli

Comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Publicidade
Publicidade