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São Paulo

Guilherme, segurança gato do metrô, vira alvo de tietagem



Ele era mais um entre os cerca de 1.200 seguranças do metrô de São Paulo, que em meio aos cerca de 630 mil passageiros recebia algumas olhadas e elogios discretos. Até que um usuário do transporte o fotografou e compartilhou a imagem nas redes sociais com a legenda que seria sua “nova identidade”: o “segurança gato do metrô”.

A vida do também modelo Guilherme Leão, 22 anos, virou do avesso, as olhadelas se transformaram em assédios reais, pedidos para tirar fotos e cantadas – das mais leves às mais picantes. Ele não consegue mais caminhar pelo local de trabalho sem ser reconhecido, e os grupos de amigas que pedem em êxtase uma foto ao lado do “gato” são frequentes. O que ele acha de tudo isso? Não reclama. “É legal receber cantada de uma mulher”, comentou.

E as fãs de Guilherme são bastante criativas. Antes de ficar conhecido como o “segurança gato” ele já havia escutado frases como “nossa, multiplica, senhor”, “meu Deus”, e até visto pessoas disfarçando para tirar fotos. Atualmente, ele recebe mensagens como “estou me sentindo insegura, vem fazer a minha segurança?”, “me engravida”, “nossa senhora do bilhete único” e até trechos da música Dormi na Praça, da dupla Bruno e Marrone, que faz referência a um guarda. “Postei foto no Facebook que estava indo para casa e nos comentários elas colocaram coisas como ‘estou te esperando, amor’ e ‘não se atrasa para o jantar’”, comentou.

Em relacionamento sério há cinco meses com a ex-musa do Linense, Thais Belmonte, Guilherme se sente honrado com todos os elogios, tenta responder às mensagens de carinho que está recebendo no Facebook – a caixa dele está cheia e ele já tem 70 mil seguidores – mas evita corresponder às mais ousadas. Ele contou que sempre preferiu mulheres difíceis, que precisem ser conquistadas, mas não é do tipo que fica com pé atrás ou faz maus julgamentos às que “passam cantadas”. “É bacana receber uma olhada ou cantada de uma mulher, é uma coisa diferente de antigamente, as mulheres são mais independentes e têm mais atitude. Mulher não vai para balada hoje e fica no cantinho do bar esperando alguém chegar nelas”, afirmou.

Guilherme não está sozinho: há outros homens que disseram receber cantadas com frequência. O professor de Jiu Jitsu e gerente comercial Raul Padilha sempre escuta algum convite de conhecidas. “Você me dando aula de Jiu não iria prestar, não conseguiria me concentrar com você me agarrando”, “vamos ter filhos de olhos verdes” e “vamos rolar – termo usado para se referir à luta – na minha cama?” estão entre as cantadas.

O personal trainer A.P. contou que pelo menos uma vez por semana recebe um xaveco: “nossa, que broto”, “ô, lá em casa” e “aí sim, hein”, exemplificou. Nem sempre elas funcionam, mas uma vez ouviu “estou precisando sair e me divertir, me leva para o parque de diversões?” e funcionou. Já o analista de sistemas Ronaldo Pereira não é tão cantado, pois na maioria das vezes está acompanhado da noiva. Nas saídas com a turma de amigos, porém, ele já escutou que “era a cara do Alexandre Pires” e foi convidado “para matar a barata da vizinha e a dela”. Ele contou que já ouviu também xavecos furados como “o que esse bombom está fazendo fora da caixa”: “caí na gargalhada”.

Para Ronaldo, as mulheres têm os mesmos direitos dos homens na paquera, no entanto, admitiu que a sociedade é um tanto preconceituosa. A. P. contou que fica surpreso com a situação, mas não vê problemas. “Os homens podem perder a imagem de ‘menina de família’”, comentou Raul. Para ele, apensar de preferir a maneira antiga, em que o homem toma iniciativa, a atitude feminina é sinal de modernidade.

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