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Sucessão na Câmara lembra a reprise do filme Rede de Intrigas

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Sidney Lumet sabia exatamente o que estava fazendo quando dirigiu Rede de Intrigas. Seu filme levou 4 Oscar e mais 4 estatuetas do Globo de Ouro. No elenco os premiados Peter Finch e Faye Dunaway, além de Willian Holden e Robert Duvall.

Entretanto, Sidney teria melhorado sua obra se tivesse visitado a Câmara Legislativa do Distrito Federal. Especialmente na temporada em que por lá as intrigas acontecem durante a escolha da presidência da Casa para os próximos dois anos. É tão histérica a negociação quanto o personagem Howard Beale.

A Faye Dunaway da CLDF, Celina Leão, de tanto aparecer, desapareceu da disputa. Dos novatos, noves fora. O atual presidente, Wasny de Roure, que tem nome hollywoodiano, é mantido na disputa pelos predicados de veterano e austero. Mas a renovação é um conceito muito forte e tradicional por lá, capaz de vencer Wasny.

Outro personagem com pouca visibilidade e muito apetite é Agaciel Maia. Sua estratégia é tomar apenas o assento do principal cargo e entregar o resto das cadeiras a quem quiser e bem entender. Ele não precisa de mais nada a não ser ficar livre de uma possível condenação que pode estar a caminho. Mas seus movimentos são tão secretos quanto os atos do Senado da República, por onde passou.

Dos reeleitos com voz ativa, surge Dr. Michel, conhecido por não fazer parte de nenhum elenco e ser independente. Para Rollemberg pode ser um alento ter alguém na Câmara Legislativa com trânsito sobre os blocos que vão tomando forma à conveniência e interesse dos deputados distritais. Nesse quesito, Michel já é protagonista entre os 24 artistas que lá estão.

Por último, não menos articulador, corre por fora Raimundo Ribeiro, que já foi parlamentar mas que frequentou muito pouco a Câmara Legislativa e por estar ocupado em função comissionada de outros governos.

As tratativas seguem e a regra é o silêncio. Como no filme, pode surgir de uma hora para outra um Howard Beale (Peter Finch), que anunciou ao vivo que se mataria caso fosse preterido pela emissora de TV, onde ancorava um programa de pouca audiência. No roteiro original, a loucura deu espaço a sua ascensão e visibilidade. Funcionou.

Com atenção, podemos observar que existe entre os distritais um possível Beale, com jeito de insano, mas que de bobo não tem nada. Talvez essa seja uma boa receita para impor mais ordem na casa, se assim deseja o novo governador, a julgar pelas suas palavras.

Alguém vai ter que dar soco na mesa e delegar poderes aos colegas, mas sem as conhecidas manobras vistas até agora que emperram os trabalhos legislativos e atrapalham o Palácio do Buriti. O problema: quem é o doidão com perfil para aceitar o desafio sem parecer um artista engomado como Robert Duvall em Rede de Intrigas? Comprem seus ingressos porque a sessão já começou.

Max de Quental

Publicado originalmente em naredecomjoseseabra.com.br

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