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Um estouro de 430 mi no Mané de Agnelo. Quem prestará conta?

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Quatrocentos e trinta e um milhões de reais, sem computar centavos. É muito dinheiro extra perdido nas contas que não fecham da construção do Estádio Mané Garrincha. O governador Agnelo Queiroz costuma tentar se explicar por meio de notas oficiais. Mas as desculpas são esfarrapadas. Tão tortas quanto o brilhante jogador que deu nome ao estádio de Brasília.

Esse rombo foi detectado em uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas. O relatório, que agora se torna público, também indica que o custo total da obra deve ficar em R$ 1,9 bilhão – 183% a mais que o previsto originalmente, R$ 670 milhões. O cerco se fechou. E Agnelo tem prazo curto, do tipo de rédeas para amansar burro, para se explicar.

Na realidade, é mais um problema para o governador administrar. De preferência sem meias verdades, afirmou a Notibras um influente membro do partido do próprio governador. “Informações como essas colocam a perder um projeto de governo. O PT vai sangrar mais, se não dermos um jeito no que está aí”, insistiu, referindo-se aos números coletados pelo Tribunal de Contas.

Os auditores suspeitam de superfaturamento, supervisão inadequada, não cumprimento do cronograma e emprego de aditamentos que ultrapassaram limites legais. O relatório se transformou numa verdadeira bomba colocada no colo não só de Agnelo, como também do secretário da Copa Cláudio Monteiro e do presidente da Terracap, Abdon Henrique.

A auditoria considera estranho, entre outras coisas, o custo do transporte de materiais pré-moldados, que foi calculado como se ocorresse entre Goiânia e Brasília, correspondendo a 240 quilômetros. Na realidade, a fábrica fornecedora não fica no perímetro do estádio. Esse ‘novo caminho’ traçado para entrega do material elevou o custo do transporte para R$ 592 o metro cúbico, quando deveria ser de R$ 3,70.

“Sem mais esforços, percebe-se que os custos foram superestimados, pois o transporte de pré-moldados ocorre dentro do próprio canteiro de obras”, diz o documento. “A utilização de custo de transporte de guia para DMT de Brasília-Goiânia é totalmente inadequada para o serviço analisado, não merecendo comentários adicionais para a reprovação do método.”

O relatório aponta ainda que há licitações relacionadas ao estádio que ainda não foram concluídas: urbanização e paisagismo no entorno, estimada em R$ 360 milhões; monitoramento e controle das emissões sonoras, por R$ 120 milhões e fornecimento e instalação de sistema de comunicação visual, a R$ 7,1 milhões.

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