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Brasil

Velhos caras pintadas da era Collor voltam às ruas; alvo agora é a presidente Dilma



Após perceber que o povo havia tomado às ruas para pedir o impeachment do presidente Fernando Collor, em 1992, o espanhol e engenheiro mecânico Alfredo Vidal, hoje com 65 anos, pegou as três filhas (uma de 16 e as gêmeas de 13 anos), saiu do Morumbi e pegou um ônibus em direção ao Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, ponto de encontro para uma das maiores manifestações do movimento.

Neste domingo, 15 de março, o engenheiro voltará a participar de uma manifestação – desta vez, para pedir a saída da presidente Dilma Rousseff – após quase 23 anos, junto com sua filha mais velha, a farmacêutica Márcia Escamilla Demestres, hoje com 38 anos.

“Eu achei importante mostrar para minhas filhas que era possível lutar pelo país e buscar melhorias. Foi muito importante para nós e ficou marcado em nossas vidas”, relata Vidal.

Desta vez, a filha (Márcia) foi quem chamou o pai ir ao protesto. Ela acredita que será outro momento histórico para o país. Márcia participa no Facebook de grupos que se denominam como “novos caras-pintadas” e pedem o impeachment da presidente Dilma Rousseff, reeleita no fim de 2014.

Tais grupos explicam que a diferença entre os caras-pintadas antigos e os atuais é que, em 1992, as pessoas eram contra um político: o ex-presidente Fernando Collor, senador pelo PTB-AL, e suas atitudes, e hoje são contra um partido, no caso o PT e a também a corrupção.

Para o engenheiro, a “decepção” é o que há de comum entre os dois momentos. Ele acredita que, com o governo do PT, o sentimento é ainda maior do que em 1992.

“O Collor foi o primeiro presidente eleito pelo povo e, depois que assumiu, suas atitudes foram erradas e a decepção foi grande”, conta. “Pedir o impeachment dele foi uma forma de mostrar que não estávamos satisfeitos. Quando o Lula assumiu, eu tinha esperança que as coisas iriam melhorar, por ele ser do povo, mas durou pouco. Logo percebi que não mudaria, e hoje com a Dilma só piorou. A decepção está bem maior do que com o Collor”, acrescenta.

Para a farmacêutica, os protestos deste domingo serão grandiosos e históricos como os da época do Collor. Ela voltou a frequentar manifestações no dia 25 de outubro de 2014, véspera do segundo turno das eleições, em favor do candidato Aécio Neves (PSDB).

“Acho importante participar destes movimentos em qualquer fase da vida, se acreditamos em um ideal. Eu defendo a moralidade na política brasileira. Cansamos desta corrupção desenfreada que está acabando com o nosso país”, explica Márcia. A farmacêutica está ansiosa para a manifestação de domingo. “Eu vou faça chuva ou faça sol”, diz.

Ela conta que em 1992 os jovens eram mais engajados e atuantes, mesmo sem acesso à internet e redes sociais. “Hoje temos toda essa tecnologia, marcamos tudo pelo computador, mas infelizmente há muitos omissos. Os caras-pintadas atuais são pessoas mais experientes. Eu vejo idosos, cadeirantes, crianças acompanhando seus pais nas ruas.”

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