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Passei no BB (PARTE 5)

Pipa mortal

Publicado

Autor/Imagem:
Saulo Braga - Texto e Foto

Esta é uma história real. Para saber mais, leia as partes 1, 2, 3 e 4. (links no final).

Antes de começar, dois detalhes importantes:

1°) Uma grande amiga me perguntou por que eu não cito o nome ou o apelido dos personagens das histórias, uma vez que eu já informei que as histórias são reais. A resposta é simples: apesar de saber os nomes deles e os seus apelidos, eu não tenho autorização para divulgá-los e não dá para fazer contato com todos, até porque já se vão quase 40 anos. Então, doravante, quando eu usar “cliente”, é porque a pessoa era cliente do Banco, se eu usar colega é porque era colega do banco; e se eu usar amigo, é porque não era nem cliente nem colega do banco, mas sim um amigo da Cidade.

2°) Eu tenho pouquíssimas fotos lá na cidade de Colmeia e que foram cedidas por colegas ainda naquela época. Então, muitos detalhes não posso confirmar com fotos. Por exemplo, quando eu citei na “parte 3” que a rodoviária só tinha três vagas para ônibus e uma lanchonete. Mas você pode consultar aí no Google Maps digitando: “rodoviária de Colmeia Tocantins”. Veja aí o resultado em Janeiro/2026.

Rodoviária de Colmeia-TO

Eu sempre gostei de soltar pipa, mesmo depois de adulto, porém nas férias do mês de julho em Colmeia, eu nunca via uma pipa no céu. Só não lembro se lá o nome era pipa, pandorga, raia ou papagaio, que são alguns dos nomes conhecidos no Brasil desse brinquedo de criança.

Disseram-me que as crianças da cidade não empinavam pipa. Fiquei curioso e, na época das férias, eu fiz uma pipa enorme com mais ou menos 1,5 m de altura, e, para fazer o rabo, utilizei aquelas antigas fitas VHS. Por sorte, no final da tarde, apareceu um amigo que tinha uma máquina fotográfica. E a foto que ele tirou é exatamente essa que está na abertura.

Quando a pipa subiu, eu estava em uma praça que fica no ponto mais alto da cidade. O que juntou de menino “não tá no gibi”. Mas quando eu oferecia a linha para que eles segurassem um pouco, todos eles diziam que não queriam morrer pela doença que viria na linha. Obviamente não entendi aquilo.

Conversei com o colega de banco mais antigo da agência, e ele me informou que existia uma história de uma criança que há muitos anos havia morrido empinando pipa, provavelmente levou uma descarga elétrica de algum fio de energia ou até mesmo uma descarga atmosférica. Mas o colega não garantiu que este seria exatamente o motivo pelo qual os meninos não brincavam de empinar pipa, pois só tinha ouvido falar. Muito triste!

Outro detalhe interessante, que talvez também fosse um costume, é que nenhum homem andava de shorts na cidade. A maioria andava de botas, camisa de manga comprida e calça jeans com um cinturão com uma fivela enorme, que muitas vezes era um cavalo, um chapéu de cowboy ou uma paisagem sertaneja.

A grande maioria também só usava camisa de manga comprida. Era exatamente como nos velhos filmes de faroeste. Ver um homem de shorts só mesmo na hora do futebol. E eu às vezes era criticado por andar com um shorts curto. Achavam que era obsceno. Tanto que, no meu último dia na cidade, no final do churrasco que fiz para comemorar a conquista da minha transferência para o Rio de Janeiro, os colegas rasgaram o shorts que eu estava usando rsrs.

Em Colmeia, a hierarquia na família era cumprida à risca. Na maioria das vezes, quando um cliente precisava ir ao banco com a sua esposa para assinar um contrato, ela ficava em pé atrás dele, enquanto eu explicava a ele as cláusulas do contrato. Então, o cliente assinava, fazia um sinal para a esposa, ela se aproximava e, em pé mesmo, assinava o contrato e depois voltava à sua posição atrás da cadeira dele.

Mesmo tendo duas cadeiras à frente da minha mesa, pouquíssimas vezes a esposa se sentava. Resquícios de uma sociedade patriarcal que, obviamente, eu não podia questionar, mas sim me acostumar com todos esses “costumes” de uma cidade do interior. Por falar em “contrato”, eles chegavam impressos à agência. Eram contratos para compra de gado, financiamento de lavouras, compra de maquinário agrícola etc. Porém, como naquela época a economia do país mudava da noite para o dia, o que obrigatoriamente mudava também boa parte das cláusulas dos enormes contratos, eu tinha que datilografar todas as novas regras, contrato por contrato. E todo esse trabalho eu tinha que fazer em velhas máquinas manuais, o que sempre demandava muito tempo. Isso gerou uma história muito engraçada: o caso do “Inspetor”, que contarei na parte 6. Mas posso adiantar que o meu gerente quase teve um enfarte!

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Leia a parte 1: https://www.notibras.com/site/cafundo-do-judas/

Leia a parte 2: https://www.notibras.com/site/quase-morri/

Leia a parte 3: https://www.notibras.com/site/aqui-o-sistema-e-bruto/

Leia a parte 4: https://www.notibras.com/site/o-roubo-das-galinhas/

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