Curta nossa página


Passei no BB (Parte 6)

O inspetor

Publicado

Autor/Imagem:
Saulo Braga - Texto e Foto

Esta é uma história real. Para saber mais, leia as partes 1, 2, 3, 4 e 5. (links no final).

A agência do BB em Colmeia, nem preciso dizer, era uma típica agência do interior nos idos de 1987. Não havia ar condicionado, mas sim velhos e barulhentos circuladores. Havia só um telefone na Agência. Aliás, que eu me lembre, também havia um telefone na Prefeitura, um na agência do Bradesco, um no Hospital, três no posto telefônico e… só! Próximo da minha transferência, a rede telefônica chegou para todos da cidade. Tivemos até uma lista telefônica, um “luxo só”.

Como citei na parte 5, todos os contratos para compra de gado, financiamento de lavouras, compra de maquinário agrícola etc., eram feitos por mim na “Rural”, que era a Carteira de Crédito Agrícola. Os contratos chegavam parcialmente impressos e eu tinha que datilografar os dados de cada cliente e os detalhes sobre o que estava sendo financiado. Mas como a economia do país mudava de um dia para o outro, por este motivo eu tinha sempre que datilografar as novas e longas cláusulas nos contratos. E olha que eram muitos os contratos. Infelizmente para mim, a agência só dispunha de velhas máquinas manuais. Logo eu que havia feito o teste de datilografia para passar no concurso em uma maravilhosa IBM Esfera rsrs!

Mesmo sendo um novato, eu às vezes cobrava do gerente a aquisição de novas máquinas de escrever. Certo dia, ao sair para almoçar, eu vi um homem vestido de forma bem simples abrindo uma caixa e tirando dela uma máquina de escrever novinha em folha. Como o Gerente acompanhava esta ação, eu pensei que os meus pedidos para a aquisição de novas máquinas de escrever tinham sido finalmente atendidos. Julgando ser aquele homem um entregador que trazia as novas máquinas de escrever, aproximei-me, dei dois tapinhas nas suas costas e lhe disse que eu estava saindo para almoçar e que quando eu voltasse queria ver em cima da minha mesa uma máquina de escrever novinha, igual àquela que ele estava desencaixotando.

O Gerente arregalou os olhos e empalideceu. Algumas veias saltaram no seu pescoço. Não falou uma palavra, mas me fixou um olhar fulminante. Fiquei pensando se tinha feito algo errado. Quando retornei à agência depois do almoço, tive certeza que sim, tinha feito algo muito errado, pois o gerente e o subgerente estavam numa reunião com aquele homem. Só que agora ele estava de terno e gravata. O homem que eu pensei ser um entregador era nada mais nada menos a figura mais temida por todos os gerentes de agências do interior… “O INSPETOR”.

Como ele sabia que na maioria das Agências do interior as máquinas de escrever eram velhas e funcionavam mal, ele sempre levava a sua própria máquina para datilografar seus relatórios. Nem de longe eu poderia supor que aquele homem vestido de maneira simples seria um Inspetor. Aliás, para falar a verdade, eu nem sabia que existia essa figura do Inspetor.

Naquela época, costumava-se dizer que, nas cidadezinhas do interior, o Gerente do Banco do Brasil mandava mais que o próprio Prefeito da cidade. E isso era bem verdade, pois nestas pequenas cidades, muitas das vezes, o Prefeito consultava o Gerente quanto à administração da cidade. Mas podem ter certeza que o Inspetor “mandava mais que os dois juntos.”

Bem, a Agência acabou passando com uma nota boa na inspeção e eu acho que aquele homem não deu muita importância ao fato acontecido. Mesmo porquê, apesar de eu ser um novato, o meu serviço sempre foi muito bem feito.

No último dia da presença do Inspetor na cidade, o Gerente fez uma grande festa na pequena AABB. Festa como nunca havia tido antes. Muita fartura em “comes e bebes”.

No final da festa, já sabendo o que representava para os Gerentes a figura do Inspetor, eu maldosamente cochichei no ouvido do Gerente que “seria ótimo que um Inspetor visitasse a agência regularmente, pois, assim sendo, teríamos sempre um “festão daqueles” na AABB”. Nem preciso dizer que nesse momento o Gerente quase enfartou de tanta raiva rsrsrs!!!

Na parte 7 você fica sabendo que nem rádio da Nasa pegava na cidade, por isso eu troquei meu rádio por um Walkman. TV dava para ver mais ou menos rsrs.

……………………..

Leia a parte 1: https://www.notibras.com/site/cafundo-do-judas/

Leia a parte 2: https://www.notibras.com/site/quase-morri/

Leia a parte 3: https://www.notibras.com/site/aqui-o-sistema-e-bruto/

Leia a parte 4: https://www.notibras.com/site/o-roubo-das-galinhas/

Leia a parte 5: https://www.notibras.com/site/pipa-mortal/

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.